Minha história com os LPs: Conte-nos a sua também!

Eu comecei a colecionar discos com 14 ou 15 anos de idade. Estudava em Madureira e morava na Penha, bairros da zona norte do Rio de Janeiro. Todo mundo tem uma história particular com o universo do vinil. Eu vou contar um pouco da minha e estrear aqui no blog o espaço para que cada um, interessados, deixe seu relato também.

Já tinha visto uma vitrola e as famosas bolachas em casa, durante a infância nos anos 90. Sem dúvida o que mais me fascinava era o barulho produzido pelo contato da agulha com o disco, mesmo com o aparelho desligado. Rodando o disco manualmente era possível ouvir algum sinal de música, ainda que sem eletricidade.

Um belo dia voltando da escola, fazendo o trajeto rotineiro, achei uma loja de antiguidades. Lá dentro, um coroa gente boa, quase dormindo… eu não faço mais ideia qual foi a negociação da época, mas nunca vou esquecer do peso que tive que aguentar pra levar vitrola mais duas caixas de som e um punhado de discos pra casa. Era pesado e era meio longe…

Entre ruas e ladeiras a se caminhar até chegar em casa, foram necessárias várias paradas. Mas a satisfação de chegar, limpar o aparelho, fazer as conexões e ouvir música na minha própria vitrola ainda está viva até hoje. Me fazem levantar pra girar o disco do lado A para o lado B e também me fazem batucar esse texto com lágrimas nos olhos e um sorriso infantil no canto da boca.

Eu lembro da reação dos familiares: felicidade vez por outra é confundida com maluquice. Talvez o dono do sebo também achasse isso, pois que tipo de moleque sai pela rua equilibrando, entre bolsas e braços, mais peso do que se pode carregar? Ah… o tipo de moleque que virou freguês do coroa e passava lá sempre que podia. A negociata mais clássica que rolou entre nós foi a troca de uns álbuns de figurinhas de copas do mundo antigas que eu tinha comprado na feira do Lavradio, por um box com discos de 78 rotações da ópera La Bohéme de Puccini. Qualquer dia conto essa história melhor…

No lote inicial que chegou acompanhando a vitrola devia ter uns 10 discos, nada mais que isso. Não lembro de nenhum outro título se não o primeiro que peguei para botar pra tocar. Sabe quem foi?! Nem sei se devia contar isso pra vocês… foi um Inimigos do Rei! Banda carioca que tem o Paulinho Moska como integrante. Mas eu nem sabia disso… pelas contracapa deu para perceber que era uma banda pop/rock, a arte da capa era interessante, então… porque não?! E foi…

A se considerar pela primeira experiência, até podia ter parado por ali ao som de “Adelaide… minha anã paraguaia…”, mas junto com as ondas sonoras desse hit de humor no ar estava o mosquito do colecionismo, zumbindo entre sulcos e cliques. E eu acho que ele me picou. Porque de lá pra cá eu não parei de ouvir disco nunca mais.

Ouvi música naquela mesma vitrola por anos a fio, sem problemas. Foram mais de seis anos em uma relação de amor, sem ódio, dum tempo em que sebos do centro da cidade ainda tinham seus balcões de disco a um real. Saudade dessa época.

Talvez meus pais achassem que era disco demais. Mas se pudesse voltar no tempo eu teria é comprado muito mais! Não foi auge do desapego geral pelos LPs, mas foi a ressaca dessa maré. Com o passar dos anos a moda começou a engrenar e então nesse tempo aumentaram não só os títulos, mas as fabricações, o interesse, a oferta e demanda e, é claro, minha coleção particular, que também prometo comentar mais sobre em outra oportunidade.

Nesse primeiro post do Discobiografia a ideia era contar como comecei a colecionar discos. Tentei puxar da memória qual foi o primeiro álbum da coleção. E você, topa fazer esse exercício? Compartilhe sua história. Como a minha, pode ser que não tenha nada de “demais”, mas… a singularidade de cada história comum constrói a beleza e complexidade desse universo de colecionismo.

Mas além de contar, é sempre fascinante ouvir histórias de amantes do vinil. Se você tem interesse em compartilhar suas memórias, mande seu relato para discodevinil.com@gmail.com que todo sábado é dia de histórias sobre vidas e vinis. Abraço. Até semana que vem!

Um comentário sobre “Minha história com os LPs: Conte-nos a sua também!

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